Dica Literária

 Blink - a decisão num piscar de olhos

Acabei de ler esse livro. O livro BLINK trás a idéia de que devemos aprender a confiar em decisões tomadas em poucos segundos e que muitas vezes essas decisões são mais corretas do que as que tomamos ao analisar diversas variáveis de algum problema. Não pretendo fazer uma resenha do livro, mas sim comentar sobre uma parte em especial. O autor cita durante o livro o caso de uma mulher que toca Trombone e faz um teste para entrar em uma orquestra de Munique. Alguns experts irão avaliá-la mas sem saber quem ela é. Como? Simples, todos os candidatos tocaram atrás de uma tela que impedia que os julgadores soubessem se era homem ou mulher. A candidata foi avaliada apenas pelo seu talento.Ela faz o teste, desde a primeira nota tocada (como relata o autor) os avaliadores sabiam que aquela pessoa seria a escolhida. Mandaram os outros candidatos embora e chamaram quem havia sido escolhido, e... tiveram uma surpresa.Quando viram que era uma mulher, não podiam acreditar. Mas claro que não, pois esperavam um homem. Era "lei" que o trombone era um instrumento masculino. E quando enviaram a carta à candidata haviam escrito HERR e não FRAU (aparentemente, HERR seria Sr.), o que passou desapercebido pela própria mulher que foi fazer o teste. Ela foi aceita de qualquer maneira, mas teve diversos problemas, os quais teve que resolver judicialmente.Nesse momento, o autor mostra mais uma vez que nossa primeira impressão deve ser considerada, pois afinal ela era uma excelente artista. E que se os avaliadores soubessem que ela era mulher, todos os seus preconceitos os impediria de tomar a melhor decisão, afinal ali estava uma mulher tocando um instrumento de "homem".Ao ler essa passagem, pensei em um assunto que já escrevi mais de uma vez nesse blog: relações que começam na internet. Acho que agora entendo um pouco melhor o motivo porque nos atraímos por pessoas que nunca vimos. Não tenho nenhum conhecimento psicológico/neurológico para afirmar que seria o caso semelhante ao do teste dos músicos cobertos por uma tela, mas acho que sim.Filtramos nossa atenção ao que realmente interessa, as idéias da pessoa, o que ela pensa, a visão de mundo. Algumas coisas podemos mentir para passar a idéia errada propositalmente, mas com as redes sociais, isso fica cada vez mais difícil porque conseguimos buscar informações diversas olhando para diferentes perfis e comunidades.A primeira impressão física, do jeito de andar, das expressões, ficam distantes. Ontem mesmo, uma amiga me perguntou se era possível gostar muito de alguém que tu tem uma relação mais a distância. E eu acredito que sim.Da mesma forma que por mais talentosa que fosse (e os avaliadores sabiam disso) a candidata sofreu preconceitos por ser mulher (e ao buscar justiça, ganhou em todos os casos), muitas vezes quando conhecemos alguém que antes vivia nessa distância das redes sociais, acabamos deixando que nossos preconceitos mudem a opinião sobre ela. Já aconteceu comigo, de falar com alguém que eu considerava interessante e ao vê-la mudei o meu conceito porque achei que ela era "patricinha".Como tenho já uma imagem ruim de patricinhas, aquela pessoa mudou totalmente pra mim. E não teve jeito de eu me livrar disso.Eu tenho me interessado por essa área do "desconhecido" de nosso cérebro e decisões. O que nos motiva a escolher determinadas coisas e que muitas vezes escolhemos sem saber o porquê. Já havia lido o Buyology (A Lógica do Consumo) e agora esse Blink (que não é totalmente sobre negócios e marketing, mas poderia ser aplicado certamente). Me fizeram refletir e até entender algumas coisas que eu fiz e vejo outras pessoas fazerem. Blink é um bom livro, aconselho.

Um comentário:

Azarildo Olavo Pinto disse...

Muito legal!!! parabénsss pelo seu blog!!!
ótimooOOOOO³³³³³
BEIJOS.